
Atualmente, o Brasil possui 2,4 milhões de autista, segundo aponta o censo do IBGE, Data busca promover a conscientização e aceitação do Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Segundo os resultados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2022, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,4 milhões de brasileiros declararam ter recebido diagnóstico de transtorno do espectro do autismo (TEA) por algum profissional de saúde. O número representa 1,2% da população residente no país com 2 anos de idade ou mais. A prevalência do diagnóstico de autismo foi maior entre os homens (1,5%) do que entre as mulheres (0,9%), seguindo a tendência já observada em estudos internacionais — uma proporção de 1,4 homens para 1 mulher. O dado mais expressivo, no entanto, aparece na faixa etária entre 5 e 9 anos: 2,6% das crianças brasileiras nessa idade foram identificadas com TEA, o que equivale a 1 em cada 38 crianças. Nesse grupo, a diferença entre os sexos também é significativa: entre os meninos, a taxa é de 3,8% (264 mil), enquanto entre as meninas é de 1,3% (86 mil) — 3,1 para 1. Os dados apontam que é preciso reforçar as políticas públicas de apoio a este público, principalmente a inclusão social, principalmente a inclusão escolar.
Na avaliação do Professor, doutor em Educação pela PUC-SP, com Pós Doutorado em Psicologia na UFSCar, psicopedagogo Lucelmo Lacerda, a educação inclusiva, é capaz de promover, em cada estudante, o máximo desenvolvimento de suas habilidades, contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e com maior senso de pertencimento, não apenas para pessoas com deficiência, mas também para outros grupos. Mass salienta que, no Brasil, construiu-se a ideia equivocada de que inclusão significa, necessariamente, colocar todos os alunos em salas de aula comuns. “Isso não faz sentido e contraria evidências científicas”, argumenta o especialista, pois, diversos estudos mostram que, em alguns casos mais severos, os estudantes não apenas não se beneficiam da sala comum, como também podem ser prejudicados por ela. “Um sistema escolar verdadeiramente inclusivo deve contar com escolas especializadas, salas especializadas dentro de escolas regulares e salas de aula comuns. Esses três formatos devem coexistir, para que se possa oferecer a cada estudante a opção mais adequada às suas necessidades. É claro que todos têm o direito de frequentar a sala comum, mas é preciso oferecer também alternativas especializadas”, pontua.
Lucelmo Lacerda ressalta ainda que, enquanto o papel das escolas e salas especializadas não for compreendido com clareza e garantido em todos os lugares, qualquer outra solução será equivocada, pois não conseguirá responder de forma adequada aos desafios reais da escola. “Muitos alunos autistas, ao permanecerem exclusivamente na sala comum, acabam segregados nesse ambiente, especialmente quando apresentam crises. Isso prejudica sua socialização e intensifica o estigma em torno do autismo”.
