Especialista defende volta das escolas especiais para escolarização de pessoas com deficiências

Para garantir um sistema verdadeiramente inclusivo é necessária uma  estrutura tripartida: escolas especiais, salas especializadas e salas comuns com avaliação individual do aluno

Enquanto cresce a percepção de que a chamada “inclusão total” está falhando, especialistas em educação alertam: a inclusão de verdade só será possível com a adoção de um sistema educacional diversificado, que atenda às necessidades reais dos alunos. Com professores despreparados, estudantes com deficiência desassistidos e famílias frustradas, a alternativa envolve o resgate e fortalecimento das escolas especiais, aliadas a salas especializadas dentro das escolas comuns e salas regulares com os apoios necessários.

O professor Lucelmo Lacerda, pesquisador, mestre e doutor em Educação, com ampla atuação no campo da inclusão escolar e do autismo afirma que a ideia de que “todos devem estar na mesma sala, fazendo a mesma coisa” é um equívoco teórico e científico. Segundo Lacerda, o modelo atual tem promovido uma falsa inclusão, onde alunos são colocados em ambientes escolares que não atendem suas reais necessidades, prejudicando seu desenvolvimento e socialização. “Cada indivíduo necessita de atendimento e estímulos diferenciados conforme suas limitações e possibilidades, cenário impossível em salas de aulas superlotadas e professores sem formação com foco na individualização do ensino”, argumenta.

Diante desta realizada, ele pontua que a Inclusão Total e a Educação Inclusiva são vertentes antagônicas (contrárias) no debate sobre educação especial. A primeira defende o fim das salas e escolas especializadas, como as APAEs, e a limitação de apoios pedagógicos em prol da integração social. Já a segunda também prioriza a integração, mas luta pela manutenção dos espaços especiais e suporte contínuo por entender a relevância da educação pensada conforme a necessidade de cada aluno.

Para garantir um sistema verdadeiramente inclusivo, Lacerda defende a estrutura tripartida: escolas especiais, salas especializadas e salas comuns com adaptações personalizadas, conforme a avaliação individual do aluno.

Ele também reforça que a decisão sobre o melhor caminho deve sempre considerar o papel central da família no processo.

Em sua avaliação, a alocação de crianças e adolescentes neurodivergentes ou com alguma deficiência no ensino regular é essencial para a promoção dos ideais de inclusão social. Porém, a precariedade das escolas brasileiras, especialmente nas mantidas pelo Poder Público, favorece uma lacuna de aprendizagem que limita os avanços daqueles que mais necessitam de atenção especial.