
Embora seja uma geração mais conectada, as redes sociais sejam projetadas para conectar pessoas, o uso excessivo pode levar ao isolamento e à solidão
A solidão, frequentemente associada à terceira idade, tem se manifestado de forma crescente entre adolescentes e jovens adultos. Embora esta solidão seja um paradoxo, pois, é uma geração mais conectada e embora as redes sociais sejam projetadas para conectar pessoas, o uso excessivo pode, paradoxalmente, levar ao isolamento e à solidão, especialmente entre os jovens. A substituição de interações presenciais por conexões virtuais, a comparação constante com os outros e a busca por validação online podem contribuir para sentimentos de inadequação e solidão. Isso por que, o ambiente virtual, pode gerar comparações constantes entre a vida do indivíduo e a vida dos outros, levando a sentimentos de inferioridade e inadequação, especialmente em jovens que estão construindo sua autoestima.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), chega a 20,9% o total de adolescentes em todo o mundo que vivenciam sentimentos de solidão, o que tem gerado preocupação entre especialistas da área da saúde mental. Embora o relatório global da OMS não apresente dados específicos sobre o Brasil, o país está incluído em análises regionais e em estudos como o Global School-based Health Survey, que contempla países das Américas. O Brasil figura entre os países de renda média, grupo que apresenta uma prevalência média de solidão de 19,3%. Na região das Américas, onde o Brasil está inserido, a taxa média de solidão é de 13,6%. Além disso, estudos anteriores apontam que adolescentes brasileiros enfrentam desafios significativos relacionados à solidão, especialmente em contextos marcados por desigualdade social, bullying e falta de apoio escolar, fatores que são destacados no relatório como determinantes da solidão. “O mundo está se mobilizando para promover a conexão social. Observamos um movimento crescente em busca da solitude e da redução ou domínio da solidão”, afirma o Dr. Rodrigo. Já o psiquiatra Dr. Kalil Duailibi, professor da Unisa e presidente do Departamento Científico de Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina, reforça: “É essencial estarmos atentos aos sinais de solidão em nossos amigos e familiares. Pequenos gestos, como um telefonema ou um convite para um café, podem fazer uma grande diferença.”
