
A guerra política entre o Poder Executivo (Prefeito Adeildo Nogueira – PL) e a Câmara Municipal entre o final de 2025 e o início de 2026 tem trazido sérias consequências para a população da cidade, que sofre com este clima de tensão entre os poderes. As disputas envolvem investigações, manobras orçamentárias e trocas de acusações públicas entre as casas. A situação atual (início de 2026) continua bastante conflitante, com os vereadores de oposição e a mesa diretora da Câmara em pé de guerra com o prefeito eleito nas eleições de 2024.
O presidente da Câmara, Antônio Fiaz Carvalho (Tonico), foi acusado de criar uma situação de risco financeiro ao inviabilizar o orçamento, gerando um impasse inédito na cidade, que pela primeira vez na história, a cidade entra em um novo ano sem a aprovação da Lei Orçamentária Anual. A LOA de 2026 não foi votada e nem aprovada dentro do prazo legal, criando um cenário de insegurança financeira e administrativa que pode refletir em setores importantes como Saúde, Educação, etc. Porém, acabou sendo aprovada na sessão da última terça-feira (20).
Para o presidente da Câmara, Antônio Fiaz Carvalho, o ‘Tonico’ a situação chegou a esse ponto porque, faltou diálogo institucional e respeito às atribuições constitucionais do Poder Executivo. “A Câmara Municipal tem o dever legal de fiscalizar, debater e deliberar em nome da população, enquanto o Executivo deve governar com transparência e abertura ao diálogo. Quando um desses pilares deixa de funcionar adequadamente, o ambiente de tensão se instala”, argumentou o presidente, enfatizando que, quando Executivo e Legislativo entram em confronto, projetos importantes atrasam, políticas públicas ficam comprometidas e a cidade perde tempo e eficiência. “Quem mais sofre com esse cenário é o cidadão, que espera soluções concretas para saúde, educação, infraestrutura e serviços básicos”, completa.
Para ele, mais importante para a cidade que houvesse realmente a harmonia entre os Poderes, por que é fundamental para o bom funcionamento da administração pública. “Harmonia significa, mais respeito institucional, diálogo e cooperação. É isso que a população espera: que os Poderes trabalhem juntos, cada um dentro de suas atribuições, pensando exclusivamente no interesse público”. Entretanto, segundo destaca, não é isso que vem ocorrendo por parte do Executivo que a todo momento faz afirmações inverídicas sobre a Câmara Municipal. “Nós temos procedimentos administrativos e legislativos que precisam ser obedecidos, porém o Poder Executivo não vem cumprindo com essas obrigações institucionais”.
O presidente da Câmara salienta ainda que, para vencer esta crise, tanto a presidência da Câmara, quando os vereadores têm atuado com responsabilidade e equilíbrio, sempre abertos ao diálogo e buscando soluções institucionais para restabelecer a normalidade administrativa. “O compromisso do Legislativo é com a cidade e com a população, e não com disputas políticas. A Câmara permanece à disposição para construir caminhos que permitam à administração municipal funcionar plenamente, com transparência, legalidade e respeito mútuo”, finalizou.
Prefeito
Já o prefeito Adeildo Nogueira argumenta que, Infelizmente, a Câmara Municipal vinha, há muitos anos, atuando dentro de uma relação de informalidade com o Poder Executivo, em que as obrigações constitucionais do Legislativo raramente eram questionadas. Com o início do governo Adeildo Nogueira, essa prática mudou. A atual gestão passou a adotar regras mais rígidas, pautadas na legalidade, no estrito cumprimento do dever constitucional e no respeito à separação e harmonia entre os Poderes. Diante desse novo cenário, o Legislativo, especialmente na figura de seu presidente, ao não conseguir lidar com situações adversas e com uma gestão mais técnica e formal, optou por judicializar praticamente todos os temas, gerando uma situação inédita de instabilidade, inclusive dentro do próprio Poder Legislativo.
Ele avalia que, ao não priorizar o diálogo e o respeito à separação entre os Poderes, o Legislativo acaba provocando morosidade nos processos administrativos e criando um ambiente extremamente burocrático. Isso limita a atuação do Poder Executivo, impõe barreiras desnecessárias e gera lentidão na solução de problemas que deveriam ser resolvidos com muito mais agilidade, sempre dentro do estrito cumprimento da lei. “O maior prejuízo, sem dúvida, é para a população, que vê demandas urgentes serem retardadas por entraves políticos desnecessários”.
O prefeito salienta ainda que a harmonia dos poderes seria importante. “Sem dúvida. Quando todas as partes buscam o bem da população, a harmonia entre os Poderes é sempre o melhor caminho. No entanto, quando interesses individuais se sobrepõem ao interesse coletivo, os conflitos acabam se tornando evidentes, especialmente diante de um governo que atua de forma legalista, formal e comprometida com a lei”, argumenta.
Para que a situação volte a sua normalidade, o prefeito destaca que vem administrando a cidade com extrema competência e responsabilidade. “A gestão promoveu as reformas administrativas mais aguardadas dos últimos anos e implantou o Plano de Carreira dos profissionais da Educação, garantindo um crescimento histórico para a categoria e demonstrando que investir em pessoas é investir no futuro do município”. Além disso, foram propostas e aprovadas leis de grande relevância, como a Lei de Recuperação Fiscal, que possibilitou a recuperação de créditos municipais e garantirá a entrada de recursos por mais de dez anos, valores que estavam praticamente perdidos. Também foi aprovada a lei de isenção de IPTU para aposentados e pensionistas com mais de 65 anos, independentemente da metragem do imóvel, representando um avanço social significativo. A administração avançou ainda com a municipalização do Procon, a criação do Imposto Premiado e da Nota Fiscal Premiada, que irão fortalecer todo o sistema de arrecadação municipal. Houve redução do tamanho da máquina pública, renegociação de dívidas, regularização de débitos com fornecedores e, ao mesmo tempo, a manutenção rigorosa do pagamento em dia de salários e benefícios dos servidores. Atualmente, está em implantação a projeção do Plano de Carreira para todo o funcionalismo público”.
Paralelamente, o prefeito estreitou os relacionamentos institucionais com o Estado e a União, mesmo possuindo posicionamento político diverso do Governo Federal, o que resultou em avanços importantes para os recursos do município. No âmbito estadual, a proximidade com o governador Tarcísio de Freitas garantiu conquistas relevantes, entre elas a adesão à Tabela SUS Paulista, que irá elevar significativamente os recursos destinados à saúde. Hoje, o governo conta com maioria na Câmara Municipal, porém observa-se que a Presidência da Casa, em diversas ocasiões, evita o debate democrático em plenário quando as discussões não lhe são favoráveis. Ainda assim, o prefeito diz que sempre esteve e continua à disposição para dialogar e resolver todas as questões de forma institucional, tanto com o Poder Legislativo quanto, de forma harmônica e respeitosa, com o Poder Judiciário.
Cronograma dos confrontos
Comissão Processante contra o Prefeito: Em novembro de 2025, a Câmara Municipal aprovou a abertura de uma Comissão Processante para investigar possíveis infrações político-administrativas do prefeito Adeildo Nogueira. Tentativa de Cassação e “Salvação”: Apesar da abertura da investigação, o prefeito conseguiu, no início de novembro de 2025, que sete vereadores rejeitassem denúncias contra ele, evitando a cassação. Conflito Orçamentário (Risco para 2026): . O presidente da Câmara, Antônio Fiaz Carvalho (Tonico), foi acusado de criar uma situação de risco financeiro ao inviabilizar o orçamento. Condenação por Verbas da Câmara: Em dezembro de 2025, o prefeito Adeildo Nogueira foi condenado pela Justiça a devolver cerca de R$ 6 milhões que teriam sido retirados indevidamente do orçamento da Câmara Municipal logo após ele assumir o mandato. Acusações de Fake News: Em janeiro de 2026, o presidente da Câmara (Tonico) denunciou um servidor comissionado da Prefeitura por suposta disseminação de fake news contra os vereadores.
