O comportamento das crianças pode dizer mais do que imaginamos. “Lei Araceli” instituiu o dia 18 de maio como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes é celebrado em 18 de maio. A data foi instituída pela Lei Federal 9.970/2000. Este dia foi escolhido porque em 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime bárbaro chocou todo o país e ficou conhecido como o “Caso Araceli”. Esse era o nome de uma menina de apenas oito anos de idade, que foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta daquela cidade.

No Brasil, a cada hora, sete casos de abuso sexual e violência são registrados no país. Em 2025, 59.887 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. Entretanto, os números referem-se apenas aos casos notificados, o que significa que esse índice pode ser ainda muito maior devido a uma sub-noticicação.

Diante desta triste realidade, a identificação precoce de possíveis abusos, depende da escuta atenta de familiares, profissionais da educação, equipes de saúde, assistência social e de toda a rede de proteção, são ferramentas para a redução destes índices. E a Campanha Maio Laranja, reforça a importância da conscientização e da proteção de crianças e adolescentes contra estes tipos de crime.

Próximos da vítima

Segundo a Fundação Abrinq, que promove a defesa dos direitos e o exercício da cidadania de crianças e adolescentes, a violência sexual contra crianças e adolescentes frequentemente acontecem em ambientes próximos da vítima, o que pode dificultar a denúncia e a identificação dos casos e na maioria das vezes, os abusadores são homens, pertencentes às famílias das vítimas, com histórico de problemas com álcool, drogas, violência doméstica, negligência e outros. Além disso, em muitas situações, estas vítimas não conseguem reconhecer a violência, têm medo de relatar o ocorrido ou dependem diretamente do agressor ou de pessoas ligadas a ele.

Por isso é importante que pais e responsáveis e pessoas próximas, estejam atentos a sinais como alterações bruscas de humor, isolamento, medo excessivo, queda no rendimento escolar e resistência em permanecer perto de determinadas pessoas, podem indicar que algo fora do comum está acontecendo. “É importante observar o comportamento dos filhos e manter um bom diálogo para entender o que está acontecendo”, orienta a fundação.

É possível denunciar possíveis abusos: Disque 100, a ligação é gratuita e anônima. Se preferir, vá até o Conselho Tutelar ou a delegacia mais próxima em sua cidade.