
A inclusão é um tripé e depende de famílias, escolas e profissionais de saúde para o desenvolvimento e inclusão de pessoas com TEA
O aumento nos diagnósticos em adultos, especialmente em mulheres, tem contribuído para o entendimento mais amplo da neurodiversidade da população brasileira. Com o aumento dos diagnósticos, aumentou também a população com TEA, com isso, há a necessidade de um olhar mais apurado sobre este assunto, pois, mesmo com a criação de vários mecanismos, leis, etc, o caminho para a inclusão total deste público na sociedade ainda é longo. Para promover a inclusão dos autistas, considerando todas as características e necessidades, são indispensáveis adaptações físicas, comportamentais e legais, que garantam a eles qualidade de vida e cidadania. Não basta apenas ter um tutor nas escolas, muitas vezes sem o conhecimento específico, mas é necessário maior entendimento, para que haja realmente uma integração social.
A Diretora-executiva do Instituto NeuroSaber, a psicopedagoga e psicomotricista Luciana Brites explica que o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno de neurodesenvolvimento caracterizado por déficits de interação social, problemas de comunicação verbal e não verbal e comportamentos repetitivos, com interesses restritos. Características comuns no autismo são pouco contato visual, pouca reciprocidade, atraso de aquisição de fala e linguagem, desinteresse ou inabilidade de socializar, manias e rituais, entre outros. “Por volta dos 2 anos, a criança pode apresentar sinais que indicam autismo. O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento. Como o transtorno é um espectro, algumas crianças com autismo falam, mas não se comunicam, ou são pouco fluentes e até mesmo não falam nada. Uma criança com autismo não verbal se alfabetiza, mas a dificuldade muitas vezes é maior”, diz Luciana.
A inclusão
A inclusão escolar e a alfabetização de crianças e adolescentes do espectro autista estão entre os desafios para a efetivação de direitos dessa população. A inclusão é possível, mas a realidade, hoje, do professor, é que muitas vezes ele não dá conta do aluno típico, quem dirá dos atípicos. Trabalhar a detecção precoce é muito importante para se conseguir fazer a inserção de uma forma mais efetiva. É muito importante o sistema de saúde, junto com o sistema de educação, olhar para essa primeira infância para fazer essa detecção do atraso na cognição social. “Por isso, é muito importante o trabalho da escola com a unidade de saúde”, afirma Luciana. A especialista destaca que a inclusão é um tripé e depende de famílias, escolas e profissionais de saúde. “Professor, sozinho, não faz inclusão. Tudo começa na capacitação do professor e do profissional de saúde. É na escola que, muitas vezes, são descobertos os alunos com algum transtorno e encaminhados para equipes multidisciplinares do município”, destaca.
